você ainda vive aqui…

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E nessa angústia diária
de tentar viver com o que me falta.
Tem horas que fraquejo
e busco nas entrelinhas do passado
algum alento.
Reviro o baú de lembranças,
recolho cacos de sentimentos
perdidos na memória…
Fragmentos do amor que inventei.

Não que eu goste de sofrer
Mas é que tem dias,
que a saudade é tanta,
que chega a doer!
E dá uma vontade danada
de saber o que está fazendo,
pensando,
sentindo…

Uma dose de amor próprio
todos os dias ajuda a entender
que ninguém deve viver
apegado ao passado.
Que essa nostalgia
não leva a nada
e me impede de procurar,
de pedir,
implorar…
porque afinal
amor não se implora!

E é só por isso
que não grito seu nome
e não digo que preciso de você,
como quem precisa de ar!

O ar ainda tem teu cheiro
e nele eu me perco…
te busco,
te sinto.
Porque você ainda vive aqui,
dentro de mim!

Silvia Lima

Para Ti

“Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida”

Mia Couto no livro “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

Art by Irina Karkabi

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Com uma rosa nas mãos pedia perdão pela dor que causou.
Dessa vez tentou tirar os espinhos da rosa, mas ainda haviam os da alma.
Era difícil livrar-se da proteção que criára ao longo dos anos.
Despir o corpo era muito mais fácil que despir a alma.
Ao deixar a luz penetrar por uma fresta encontrada na dura armadura, sentiu-se invadido e tomado de pânico.
A tanto tempo na penumbra, os olhos feriram-se diante de tão luminosa visão.
O corpo a tanto tempo inerte, sentiu-se abalado com o súbito sopro de vida.
E o coração endurecido pelos anos de desuso não entendeu a chegada do amor.
Vaga no limbo da incerteza e lá deixa-se seguir sem rumo, ignorando as tábuas de salvação que encontra pelo caminho…

Silvia lima

Tempestade serena

“Enterrei no terreno de mim mesmo uma paixão inexplicavelmente genuína. Contudo, pasmem: embora meu coração irrequieto e passional esteja, de fato, enamorado por sentimentos românticos, constelados e ardorosos, minha própria intuição reprime meus passos desconcertados em direção ao encontro com quem rebuliçou-me a alma, com quem provocou-me uma espécie de tempestade serena…”

_ Nietzsche Cywisnki, memórias aleatórias de uma vida incompleta

Art Dima Dmitriev

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Eu te celebro…

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“Eu te celebro em doses lentas sorvidas de olhos fechados, colhidas dentro de mim
Do que eu posso presumir, seremos sempre assim,
Em cada átomo que eu habitar, estarás em divisão plena
O descanso é um convite à cama de minha alma,
A casa e os aposentos de raros aromas, os quadros de nós, pendurados
A construir novas histórias com as mesmas fragrâncias,
O leito sob o sol sentindo os poemas,
O som das palavras penetra mais fundo, em consentidas medidas
Os beijos que não cabem no mundo cabem perfeitos na sua boca
Que me come,
O aconchego dos abraços que ganharam longas distâncias e nos levam em viagens sem fim
Ai de mim se me perco de ti,
Ave sem asas perdidas sobre os oceanos vazios,
Sem as tréguas dos frios e dos ventos,
Mas tenho a dança da noite e a sombra das árvores,
Os galhos que se agitam e sonoras cantigas
A vida é bela, mas amanhã as rosas florirão mais cedo,
E por certo dirão o seu nome em cada perfume
Levado pelos ventos”

Charles Burck

Você me dá asas…

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Eu tentei…
de todas as formas possíveis demonstrar o quanto me importava
(e ainda me importo) com você.
Éramos semelhantes.
Havia cumplicidade nos olhares,
uma intimidade confortável,
nos entendíamos.
Não sei onde a reciprocidade se perdeu?
Será que forcei demais,
ou foi tudo coisa da minha imaginação?
Não.
Você me disse, eu me lembro…
“Você me dá asas!”
Talvez tenha sido isso,
eu não te dei asas, eu as libertei.
Então você voou e a liberdade é algo viciante,
que te leva onde quer,
mas não me leva junto!
Silvia Lima